Taiadablog: Comandante Niltinho Toninho do Ouro
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quinta-feira, 21 de julho de 2011

Comandante Niltinho: Toninho do Ouro - O garimpeiro !!!

A história do garimpeiro Toninho do Ouro, pai de César Menotti e Fabiano!
Hoje vou contar uma parte da infância de dois irmãos, que hoje são uma das maiores revelação de dupla sertaneja do Brasil. Eles estouraram no ano passado, e até hoje não  fazem sucesso, e ainda farão por muitos anos, diferentes de algumas duplas que aparecem e logo vão embora! Acredito que por muitos anos ainda, vamos ouvir falar deles!    
Isto por que, conheço muito bem a base de sua criação. Sua mãe, muito religiosa, passou-lhes valores não só religiosos como morais, imprescindíveis à sua formação, e isto, com certeza, muito os ajudou nesta nova etapa da vida, onde o sucesso é rápido e traiçoeiro!
Temos testemunho que muitos artistas que alcançam o estrelato e, como consequencia vem à fartura de dinheiro,  mulheres, drogas e bebidas, que acabam prejudicando-os, integralmente, levando-os ao ostracismo! Poderia dar mil exemplos desta ocorrência, porém, tenho certeza que nada disto acontecerá com estes dois irmãos que estou citando, graça aos bons ensinamentos recebidos de seus pais!     
Não sei por quê, tem certos pais que, em função de não terem conseguido para si os objetivos planejados, projetam um futuro para seus filhos e lutam até conseguir, independentemente da vontade deles!
E para isto, acreditam cegamente que os filhos têm aquela aptidão ora programada e que os outros não enxergam, e lutam, com tamanho ardor, que acabam conseguindo atingir seus objetivos. Talvez Freud explique isto melhor que eu.
Assim foi que aconteceu também com os pais de outra dupla famosa, cuja vida e história,  foi contada recentemente em filme, mostrando a árdua luta de seus pais para lançá-los no meio artístico!
Sou testemunha da luta de Toninho por seus filhos, ensinando-os a cantar,  declamar poesias em público, tirando assim desde cedo a vergonha e a timidez tão natural nas crianças, preparando-os desde a tenra idade para o convívio com o palco, com público e para com os aplausos da platéia. Seu pai não perdia a oportunidade de colocar os dois a declamar poesias e a cantar quando íamos aos leilões de gado, ou nas festinhas que meu pai dava em casa!

Conheci Toninho do Ouro em Roraima, quando estávamos metidos na maior “fofoca” (rápida concentração de gente!) de ouro da história brasileira! Imaginem só uma cidade como Boa Vista, com cem mil habitantes, de uma hora para outra receber mais cinqüenta mil garimpeiros vindos de toda parte do Brasil?
O fato provocou toda espécie de desequilíbrio social entre os habitantes, como falta de moradia e alimentação, aumento da violência e das doenças, por falta de saneamento, gerando caos absoluto! Em minha cidade, Ourilândia do Norte, também ocorreu, na mesma ocasião, uma “fofoca”, só que não era de ouro e sim de níquel, e não enfrentamos os mesmos problemas de Boa Vista,                  onde não existia nenhum maestro para orquestrar a bagunça, mas todos comeram do bolo da festa!
Aqui em Ourilândia, somente a Vale é que vai se regalar sozinha com todo este minério! Não duvido não, se servirão a sobremesa de graça, umas boas toneladas de ouro como oferta da casa, tomaram que não tenham um dor de barriga!
Neste quesito, planejamento, a Vale que me desculpe, mas é simplesmente um fracasso! Seria bom a diretoria assistir mais a nossa festa carnavalesca e convidar seus membros para uma palestra! Imaginem só que, prestes a terminar a  obra, ainda não estavam prontas as casas onde iriam morar os empregados. É como diz meu amigo britânico,Vale? AH!! O que, traduzindo para o bom português,quer dizer “É uma merda.”
Vocês conhecem bem o mapa do Estado de Roraima? Se olharem bem, irão observar na divisa com a Venezuela no lado oeste, a região que é conhecida como “a Cabeça do Cachorro”, pois é justamente ali, que fomos nos encontrar, dentro do rio Urariquera, no meio daquela floresta que tinha hora que a gente não sabia se estava no Brasil ou na Venezuela.
Ali só existia uma única mina dágua potável, localizada justamente no barranco do rio. Esta mina era utilizada, porque o rio já estava todo poluído, pelos dejetos da população de mais de  mil balsas, sugando o leito do rio dia e noite para a extração de ouro!
Isto tornava a água tão poluída que era impossível a utilização, ainda mais temperada pelo azougue (mercúrio) que era usado para purificar o ouro, que também ia parar no rio!
A primeira vez que encostei meu bote no barranco da mina, em meio de mais de vinte barcos, tive que aguardar alguns minutos para recolher a água que necessitava e nisto, aproximei-me de um barraco próximo, para ver se descolava um cafezinho, quando ele apareceu em minha frente e ficou me observando!
Não sei se olhava mais para mim ou para a minha cozinheira, uma maranhense, por sinal muito bonita para os padrões do garimpo. Isto dava status diferenciado em nosso meio, porém notei que sua curiosidade estava além do traseiro de minha  amiga, tinha alguma coisa a mais em sua curiosidade, e não demorou para que viesse conversar comigo:
“ - Moço, poderia me dizer da onde veio?
- Vim de Goiânia e você? Respondi!
- Vim de Minas (se não me engano, falou que veio de Cidade Nova).
- Já pegou algum ourinho?”